Témoignages - 25 de Agosto de 2019

pt - JPIC-Jockey Club


Grupo Fé e Ação da Paróquia Nossa Senhora Aparecida


Em realidade o nome original seria “Fé e Política”, mas substituímos a palavra “política” por “Ação” devido ao entendimento popular desse termo como algo indesejável, visto as negociatas, falcatruas, desonestidades impuras que tramitam nas ações, que acontecem na política de nosso país.


Esse grupo foi formado sob algumas motivações e citarei três delas entre outras:


1- Nosso Bairro é super-habitado e considerado socialmente como lugar de classe média baixa com presença significativa de pessoas idosas e por outro lado, áreas de visível pobreza. Esse último aspecto nos revelou a necessidade de um trabalho nesse âmbito e foi uma ação julgada como necessidade e prioridade, colocada em nosso planejamento Comunitário.


2- Pessoas que participavam com Ir. Railda em grupos de formação para Espiritualidade, escolheram atuar numa ação coerente com o que haviam refletido e orado em muitas reuniões.


3- Por outro lado, numa reunião de lideranças da Diocese, o Bispo D. Luiz Antônio.


Guedes abordou a necessidade de se ampliar nas Paróquias o grupo de Fé e Política. Logo formamos o grupo e decidimos iniciar uma ação, e esta, no âmbito Social e de Saúde : são nessas duas ações que estamos inseridas além de outras atividades missionárias da Comunidade. 


Abordarei aqui, nossa participação numa luta contra a privatização de um Parque do nosso bairro.


Parque Chácara do Jockey
Ao chegarmos nesse bairro fomos, aos poucos, conhecendo seus recursos disponíveis : e entre esses, iniciamos a participar com a população local, de algumas atividades do Parque Chácara do Jockey : um antigo Jockey com 143,5mil m² deixado por seus proprietários e após 30 anos de luta, a Prefeitura assumiu e investiu nesse parque como seu patrimônio. Essa área no ano 2014 se tornou então um lugar de proteção ambiental destinado à conservação das áreas verdes e lazer sobretudo esportivo, à Cultura, e a Educação, e essa ação se firmou com o seguinte tripé:


a) participação da população na elaboração e execução do projeto ;
b) Conservação da atmosfera e da memória da Chácara ;
c) Conservação das construções históricas e das áreas verdes.


Esse lugar é lindo e frequentado por famílias que levam seus lanches e passam horas dos feriados embaixo de árvores e passeando no Parque.


Muitas lutas da Comunidade apoiada pela Igreja local, foram organizadas sobretudo contra as grandes empresas que queriam comprar o terreno para a construção e venda de moradias em prédios “Torres”.


Atualmente, com a febre da privatização de patrimônios municipais, própria da atual administração da cidade, os Parques não escaparam dessa ganância. E o nosso Parque entrou nessa lista. Frente a um edital da Prefeitura, nos mobilizamos. A principal luta em Assembleia era contra a privatização, porém nossa força pareceu ser pequena, mas influímos no Edital de concessão, com várias propostas para salvar o destino do Parque. Corrigimos muitos itens do Edital.


Mas foi ilusão ; a prefeitura lança seu outro Edital de Concessão cedendo o Parque para fins comerciais.


. Shows até 7 por mês ; (e a experiência de um show feito no parque resultou em morte dos pássaros, ninhos caíram das árvores e animais de pequeno porte saíram nas ruas fugindo do som muito alto e foram atropelados pelos carros.)


. Outros aspectos como estacionamento de carros com 140 vagas ;


. fechamento de áreas para exploração econômica ;


. Gestão privada sem interferência da gestão local ; e assim, fica acertado que o tripé do projeto inicial se esvai e temos que ir à luta.


A organização popular teria que ser ampla e contundente. Havia que captar políticos que nos apoiassem, membros da justiça que nos amparassem, visitas às organizações similares solicitando adesões.


Organizamos um dia todo de várias formas de protesto nas ruas e avenidas vizinhas, iniciando por uma manhã cultural com diversas atividades de artes populares no Parque e foi um grande sucesso. Tudo isso em curto prazo, antes que alguma instituição interessada respondesse ao edital. E qual não foi nossa surpresa : não sabemos se perceberam a nossa organização ou qual foi outro motivo, mas, ao abrir o envelope na Prefeitura, nenhuma empresa havia manifestado interesse na concessão.


Depois disso já venceu o tempo de ação do Conselho Gestor e elegemos outro Conselho com mais de mil votos o que não é comum nessas organizações públicas populares.


E ali estamos na luta, mas na alegria e pedindo a Deus que não consigam privatizar o nosso parque, ou pelo menos, não nos moldes contrários à sua finalidade.


Dirce Pontes, ia
Comunidade Nossa Senhora da Luz- Jardim Monte Kemel
São Paulo - Brasil