Projets - 13 de Maio de 2014

pt - ASPROMA - Associação dos Protetores do Meio Ambiente

Cidade de Caruaru (PE) Brasil (*)
Pessoas que trabalham unidas adquirem nova sensibilidade e realizam coisas de maneira nova.
A história da ASPROMA nasceu no cotidiano da vida dos moradores do bairro Vila Padre Inácio na periferia de Caruaru e continua ligada ao cuidado da vida, como diz o próprio nome: Associação dos Protetores do Meio Ambiente.

Em 1996, um surto de “dengue” provocou a reflexão e a ação do grupo de mulheres da comunidade cristã da Vila Padre Inácio, na periferia da cidade de Caruaru, com o apoio das Irmãzinhas da Assunção e do sacerdote responsável pela área. Preocupadas com a prevenção das doenças endêmicas, as mulheres voltaram sua atenção às causas, entre elas a falta de saneamento básico, os maus hábitos da população no trato dos resíduos caseiros e o serviço inadequado pela Administração local. Dessa tomada de consciência, o grupo de mulheres começou um trabalho de sensibilização, inicialmente com as vizinhas de casa e em seguida com a população em geral do bairro, escolas, igrejas e comércio. No ano seguinte, a diocese de Caruaru promoveu o ano missionário. Os jovens da comunidade cristã realizaram uma campanha missionária na semana do meio ambiente com o lema: “Vamos cuidar da criação”. Foi introduzido o tema da proteção do meio ambiente e a importância da redução dos resíduos, da sua reutilização e da reciclagem mediante a coleta seletiva. Houve um primeiro ensaio de coleta seletiva com a colaboração da população, frustrado pela Administração da cidade que misturou o material e o jogou no “lixão” à entrada da cidade. A decepção foi grande. Todavia a experiência adquirida na reflexão e ação foi trabalhando as cabeças das pessoas. A preocupação com o trato dos resíduos caseiros e a questão da preservação ambiental estava assumida. Levou a comunidade a iniciar uma sensibilização da população da cidade além das fronteiras do bairro e a entrar em contato com o mundo dos catadores de rua e dos lixões a céu aberto. Este mundo, até então desconhecido, pus a comunidade em contato com homens, mulheres e crianças que vivem da sobra dos outros, trabalhando de saco no ombro de sol a sol, em condições de grande precariedade pelas ruas e no lixão, vitimas da exploração dos intermediários que repassam o material coletado à industria da reciclagem. 

De Garimpeiros Urbanos a Protetores do Meio Ambiente
Aquele contato permitiu tecer relaçoes com eles e também entre eles. Tivemos a experiência que esta mesma realidade podia ser olhada de outra maneira: homens, mulheres, crianças garimpeiros urbanos e protetores do meio ambiente. Isso veio quebrar o preconceito da imagem do catador de lixo. 
Garimpeiro é quem seleciona, reunindo-as, as pedras preciosas. Aquele material considerado “lixo”, quando tratado corretamente, se tansforma em “ouro”, para aqueles que executam esta tarefa. Torna-se fonte geradora de renda e também cuidado da natureza. Praticando a coleta seletiva do material, diminui a poluição da natureza; pela reciclagem diminui a depredação dos recursos limitados da natueza. Um exemplo: papel e papelão reciclado é caminho de menor depredação da natureza. Significa menos árvores derrubadas, preservação das florestas, economia de água e de eletricidade no processo de produção do papel.

O fio condutor que guiou a Asproma
A Associação manteve a característica de uma estrutura a partir da experiência de vida, com a participação ativa dos membros. Deles foi a escolha significativa do nome da Associação, a elaboração dos pontos-chave dos estatutos e a organização inicial das atividades. Não faltaram os desafios: a mudança de mentalidade e de hábitos na passagem do trabalho individual ao associativo, na relação ao outro, reconhecido como companheiro de jornada, no cumprimento do regulamento decidido por todos, na relação ao emprego do tempo, a administração do dinheiro ganhado ... etc. Uma tarefa difícil e árdua. Foi um tempo de muito diálogo, de conhecimento recíproco, de crescimento de cada pessoa na própria auto-estima e da construção da confiança e coesão do grupo.
O projeto não nasceu “pronto”. Foi se firmando e perfilando no tempo em seus objetivos de geração de renda e preservação ambiental através de melhores condições de trabalho, vida digna e em vista de um serviço útil à sociedade. Enriqueceu-se com a contribuição de muitas pessoas.

Tudo começou em 1998. O início de um projeto é semelhante a uma viagem para o desconhecido. Toda viagem começa com um passo. Pudemos dar o primeiro passo quando o bispo diocesano, Dom Costa, cedeu em comodato o terreno necessário para iniciar as atividades de coleta. Graças a um donativo, compramos o material para construir o muro da cerca e um pequeno galpão. Os pedreiros foram os próprios associados. A Cáritas diocesana financiou a compra de uma prensa hidraúlica. Um grupo de médicos da cidade custeou dez carrinhos manuais para iniciar a coleta do material.
Hoje a Asproma conta com local de trabalho em dois bairros diferentes da cidade. Dispõe da infra-estrutura necessária para coletar (caminhão), separar (prensas hidraúlicas) e commercializar o material reciclável. Desenvolve uma rede organizada de pontos de coleta na cidade através de parcerias com empresas, instituições, comércio. Um passo qualitativo foi dado quando conseguiu-se vender o material reciclável diretamente à indústria de reciclagem, livrando-nos da exploração do intermediário.

As campanhas de educação ambiental e participação de redes pela preservação do Meio Ambiente 
O reconhecimento público da organização do trabalho desenvolvido e a experiência adquirida no campo da preservação ambiental capacitaram a Asproma para promover campanhas de educação ambiental e participar de redes comprometidas com a preservação do meio ambiente. Significativa a participação ativa dos dos membros da Associação através de sua experiência de vida. 
Entre as iniciativas surgidas citamos o projeto “Educação-Preservação do Meio Ambiente” realizado em colaboração com a rede escolar municipal com o apoio da Secretaria da Educação Municipal. Através de seminários de informação/formação dirigidos aos professores das escolas, chegou-se a formar equipes de professores para trabalhar o cudidado para com o meio ambiente ambiente de maneira trasversal por todas as disciplinas do curriculum escolar, interagindo com as famílias dos alunos. Avaliamos que esta experiência foi positiva para a divulgação de conhecimentos e para o desenvolvimento de novos comportamentos ligados ao cuidado com o meio ambiente e o futuro do Planeta. Cada criança ao comunicar-se traz para o espaço “família” a sua leitura de mundo, articulada com os novos conhecimentos. Aprende as lições do carinho, do respeito e do cuidado do meio ambiente. Esta aprendizagem transforma a cada uma num ser humano ativo e participativo, preparado-a a construir novas relações e práticas sociais.Surgiu também a iniciativa de promover encontros de intercâmbio de experiência com os trabalhadores das impresas, do comércio, com os moradores dos condimínios, onde é realizada a coleta de material reciclável. Estes encontros são ocasião de diálogo gerador de uma dinâmica de abertura e de acolhimento de novas relações e novos comportamentos.
Cada ano, na semana do Meio Ambiente a Asproma em conjunto com a rede escolar promove atividades e eventos aristico-culturais que mantêm vivo o compromisso para a coleta seletiva e a reciclagem e o cuidado com a Terra.
Citamos este texto da Carta da Terra inspirador de novos horiziontes e de novos compromissos.

A TERRA, NOSSO LAR
“A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado”.

Todavia a experiência adquirida na ação e refelxão foi trabalhando as cabeças das pessoas. A preocupação com o trato dos resíduos caseiros abriu a comunidade, sobretudo o grupo das mulheres, à questão da preservação ambiental. Levou-a a iniciar uma sensibilização da população da cidade além das fronteiras do bairro e a entrar em contato com o mundo d@s catador@s de rua e dos lixões a céu aberto, d@s que vivem de um trabalho em condições de grande precariedade e da exploração dos intermediários que repassam o material coletado à industria de reciclagem.